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25/11/2008
14:44 Direção 'patética'

Creio que a maioria deve lembrar de um desenho da Disney no qual o Pateta era um pacato cidadão que, ao sentar-se ao volante de um automóvel, transformava-se num autêntico demônio: agressivo e explosivo, capaz de atitudes tão imprevisíveis quanto temerárias. É uma das melhores e mais realistas sínteses de comportamento humano contemporâneo que já vi, apesar do tom irônico da narrativa e das próprias características do personagem!
É certo que somos um emaranhado de instintos e sentimentos, que tentam conviver com um mínimo de equilíbrio entre a emoção e a razão - não fosse isso talvez ainda estivéssemos na Idade da Pedra -, mas o mecanismo do relacionamento: ser humano x máquina ainda é um mistério que desafia os especialistas.
Na maioria dos casos, não é fácil identificar o motivo dessa agressividade; talvez seja uma reação orgânica ligada a um sensível aumento de adrenalina no organismo; mas alguns espécimes, em vez de exercitar o autocontrole, testam, perigosamente, limites. Assim, a maneira como dirigem seus veículos poderia ser qualificada como intempestiva. Eles pensam que são bons motoristas, com suas ultrapassagens arriscadas, fechadas gratuitas, costuradas, proximidade excessiva e desafiadora, arranques ruidosos e freadas abruptas; mas, só não provocam mais acidentes graças aos que antecipam suas barbaridades.
Uma vez, viajei com um conhecido, que tinha um Jaguar. Ao ver que ele conduzia o veículo com velocidade bem acima da permitida para a rodovia, perguntei-lhe se ele não temia algum problema: como multas, por exemplo. Para minha surpresa, ele respondeu que aquele carro era um sonho antigo, que não tinha preço!
O curioso é que esse tipo de conduta é característica de uma adolescência ou libido mal-resolvidas. Aliás, é nessa fase que os menos estruturados adquirem a maioria dos vícios e consolidam seu mau caráter. Para os homens, principalmente, a posse de um carro é quase um símbolo de virilidade; em casos extremos, há os que medem sua "capacidade intelectual", "coragem" e sexualidade pela quantidade de cavalos do motor. Antes, eram "juventude transviada"; hoje, são "velozes e furiosos". No fundo, são pessoas inseguras, com sérios problemas de auto-afirmação.
Grande parte da culpa cabe aos pais, que entregam "máquinas" possantes nas mãos de filhos que não sabem educar, transformando-os em assassinos em potencial: inconseqüentes e sem nenhum respeito ao próximo; que acreditam, com sua condução "intrépida" e "rachas" irresponsáveis, ser novos "Ayrton Senna", só que protegidos das conseqüências de seus atos por "gordas" contas bancárias, que financiam a impunidade e corrupção. O original, pelo menos, corria no lugar certo e quando ultrapassou seu limite morreu só, sem causar a morte ou invalidez de ninguém. Pelo contrário, ainda deixou uma fundação que ajuda a salvar vidas!
Felizmente, para alguns, essa fase passa ao chegar à fase adulta; mas para outros, perdura pela vida inteira, com seqüelas irremediáveis para inocentes. Agora, imaginem quando essa simbiose: ser humano x máquina - complexa e "química", por princípio - é "aditivada" com drogas e álcool, qualquer que seja a idade? Os cavalos do motor, o "quadrúpede" ao volante e combustíveis de alta octanagem abastecendo ambos... É nitroglicerina pura!
Só que as estatísticas mostram que as vítimas dos que se excedem na forma de dirigir - associada ou não ao consumo de álcool e substâncias entorpecentes, sejam eles "mauricinhos" mal-educados, "brucutus" socialmente deslocados ou pacatos cidadãos temporariamente "possuídos" - sobrevivem, de forma dramática e traumática, aos acidentes por eles provocados.
Vidas ceifadas, vidas truncadas, imitações de vida e limitações de vida! Tudo por conta de um "estilo de vida"!
Nosso trânsito, que já era caótico e estressante, agora é, também, "patético", com duplo sentido!
Não sou, em princípio, adepto de "terapias de choque", mas creio que a obtenção e renovação das licenças de motoristas deveriam ser precedidas de uma seção de fotos, documentários e estatísticas sobre acidentes de trânsito e suas vítimas. Talvez assim, antecipando os efeitos, refrearemos as causas. (texto publicado no site Duplipensar.Net)
Adílson Luiz Gonçalves Participe, comente | comentários(0
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14/11/2008
09:48 Nossas crianças
A organização Criança Segura, entidade sem fins lucrativos que tem como missão promover a prevenção de acidentes com crianças, acaba de lançar um estudo cujo principal objetivo é mostrar as diferenças entre a percepção e comportamento das mães sobre os acidentes com crianças e a realidade dos números. No caso dos acidentes de trânsito, o estudo apontou que, exceto pelos atropelamentos, os outros tipos (criança como passageira de veículo ou ciclista) “tendem a ser percebidos como menos relevantes, ou menos preocupantes entre as entrevistadas”.
Entre os acidentes, o trânsito é a principal causa de morte de crianças até 14 anos, representando cerca 40% do total – que giram em torno de 6 mil mortes. Em 2005, 2.326 crianças morreram e 17.781 foram hospitalizadas vítimas de acidentes de trânsito. Os atropelamentos ocupam o primeiro lugar no ranking de mortalidade: dos 2.326 óbitos, 48% (ou 1.109) eram crianças na condição de pedestre. Algumas faixas etárias estão mais expostas no que diz respeito ao atropelamento: este tipo de acidente foi a principal causa de morte de crianças de 5 a 9 anos.
As mortes de crianças na condição de passageira de veículos ou ciclista representaram respectivamente 24% (ou 551) e 6% (ou 147) do total. Os acidentes que vitimaram a criança na condição de passageira representaram a terceira principal causa de morte de crianças menores de um ano e crianças de 5 a 14 anos.
Especificamente sobre os acidentes de trânsito, o estudo mostrou que “com exceção dos atropelamentos (preocupação mais presente entre as mães de filhos entre 6 e 14 anos), torna-se evidente que outros tipos de acidentes de trânsito tendem a ser percebidos como menos relevantes, ou menos preocupantes entre as entrevistadas. Os números nos mostram que, nos casos das hospitalizações, os atropelamentos aparecem em maior número: 9.288 crianças internadas em 2005. Mas outros tipos de acidentes de trânsito – criança como passageira de veículo e ciclista – que não foram lembrados pelas mães, também apresentaram números significativos: somaram 5.131 hospitalizações no mesmo ano.
Ainda sobre os acidentes de trânsito, o estudo identificou que “mulheres que em geral usam transporte público não mencionaram possibilidades de acidentes como uma preocupação evidente, e ainda menos como um motivo de prevenção”. As mães (mesmo de filhos de 0 a 5 anos) que usam carros particulares tampouco mencionaram estes acidentes espontaneamente. Quando estimuladas, verificou-se que de fato, poucas são as medidas preventivas adotadas.
Mais informações, acesse o site Criança Segura clicando AQUI. Participe, comente | comentários(0
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07/11/2008
09:27 As maiores vítimas
Os atropelamentos de pedestres são as principais causas de morte provocadas por acidentes de trânsito no país, segundo o Ministério da Saúde. Elas perfazem 27,9% do total, seguidas por ocupantes de veículos (21%) e motociclistas (19,8%).
As diversas formas de acidentes de trânsito são a segunda nas chamadas causas externas, perdendo apenas para os homicídios, segundo a publicação "Saúde Brasil 2007", que traça um perfil das mortes provocadas por doenças crônicas e violentas.
O estudo mostra que homens de 20 a 59 anos residentes em municípios de pequeno porte são as principais vítimas de acidentes de trânsito no país.
Os motociclistas compõem a maioria das mortes por acidentes de trânsito na faixa compreendida entre 20 e 29 anos. Os idosos, por sua vez, estão mais sujeitos ao risco de morte por atropelamento.
Em números absolutos, o total de mortes por acidentes de trânsito no ano de 2006 é de 35.155 pessoas. O total gasto apenas com internações hospitalares foi de cerca de R$ 118 milhões. Houve aumento no valor gasto com internações de 2002 a 2006. Enquanto em 2002 o valor gasto com internações para vítimas de acidentes de trânsito era de R$ 46,2 a cada 100 mil habitantes, em 2006 saltou para R$ 63,1.
Segundo o estudo, enquanto na década de 1990 as mortes eram mais comuns em cidades com 100 mil habitantes ou mais, essa tendência se inverteu e atualmente essa taxa reduziu e se iguala aquelas registradas em municípios de até 500 mil habitantes.
A explosão da venda de motos no mercado brasileiro, impulsionada por facilidades de crédito turbinadas por sua vez pelo surgimento de novas profissões como a de motociclistas, são os principais motivos alegados pelo Ministério da Saúde para que o número de vítimas dessa modalidade de transporte saltasse de 300 em 1990 para cerca de 7.000 em 2006. A faixa etária mais vulnerável é aquela de 15 a 39 anos. A maior incidência se deu em cidades com menos de 100 mil habitantes localizadas nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste.
Na ponta das mais altas taxas de mortalidade por acidente de trânsito -- numa padronização por 100 mil habitantes -- aparecem Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Tratam-se de Estados que possuem, respectivamente, 5.958.295 e 2.297.994 de habitantes. Santa Catarina registrou em 2006 1.923 mortes por acidentes de trânsito, e, Mato Grosso do Sul, 684.
Como os dados não levam em conta os números absolutos, taxas ponderadas de Estados como São Paulo são puxadas para baixo. O maior Estado do país, mesmo com 41.055.761 habitantes e tendo registrado 6.710 mortes no período, tem metade da taxa registrada em Santa Catarina e aparece em 21º da lista. (matéria publicada na “Folha Online” em 6 de novembro de 2008) Participe, comente | comentários(2
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