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18/07/2008 13:54
Instinto assassino



Roteiro para um filme de ação, perseguição, destruição... um trash movie de primeira:

CENA UM – Caminhão carregado segue pela estrada em alta velocidade. Motorista, alucinado, dá sinais de farol e buzina com insistência para abrir caminho entre os veículos que trafegam em velocidade compatível com a segurança da via.
CENA DOIS – Imagem lateral aérea em zoom de uma moto pequena, tipo 125, trafegando pela faixa da esquerda. O condutor apresenta-se devidamente trajado, com capacete, e conduzindo o veículo com tranqüilidade.
CENA TRÊS – Imagem do caminhão aproximando-se da moto. A câmara começa com uma panorâmica e vai se aproximando em zoom, mostrando a moto em primeiro plano, com o caminhão perigosamente perto, por trás, piscando os faróis.
CENA QUATRO – Imagem de dentro do caminhão, mostrando o volante empunhado por uma das mãos do motorista e o condutor da moto erguendo o braço e fazendo gesto obsceno.
CENA CINCO – Zoom na mão do motociclista, mostrando o detalhe do gesto.
CENA SEIS – Zoom na cabina do caminhão, mostrando rosto do motorista coberto por sombra densa. Num rápido instante, uma luminosidade sutil – ou mesmo um pequeno clarão de estrela – passa pelo rosto ensombrado.
CENA SETE – Imagem mostrando detalhe do pára-choque dianteiro aproximando-se perigosamente da roda traseira da moto.
CENA OITO – Imagem do motociclista olhando para o espelho e olhando para os lados, tentando perceber a aproximação do caminhão.
CENA NOVE – Corte em close-up para o retrovisor da moto, com a imagem assustadora do caminhão ocupando todo o campo de visão.
CENA DEZ – Corte em close-up para a cabina do caminhão, mostrando mais uma vez o rosto ensombrado do motorista.
CENA ONZE – Panorâmica mostrando a moto saindo por uma alça de acesso da rodovia, sendo seguida de perto pelo caminhão.
CENA DOZE – Corte para o interior da cabina, mostrando a moto – muito próxima – do ponto de vista do motorista do caminhão.
CENA TREZE – Repete CENA SETE.
CENA QUATORZE – Volta para o interior da cabina, mostrando a moto aproximando-se rapidamente e desaparecendo – para baixo – do campo de visão do motorista.
CENA QUINZE – Corte para a cabina, mostrando movimento do motorista (sempre com o rosto parcialmente coberto por sombra), verticalmente, como se estivesse passando por cima de alguma coisa.
CENA DEZESSEIS – Visão de dentro da cabina, com a imagem de uma espécie de praça, cheia de árvores, crescendo rapidamente no campo de visão, e o motorista (por trás) cobrindo o rosto com o braço direito.
CENA DEZESSETE – Panorânica mostrando o caminhão arrastando os pneus, invadindo a praça e chocando-se contra as árvores. Na imagem, aparecem a moto e o motociclista no chão, pouco atrás do caminhão.
CENA DEZOITO – Corte. Primeiro plano ao nível do chão, mostrando a moto arrebentada no asfalto, com o caminhão em segundo plano, desfocado. No primeiro plano, o motociclista não aparece, mas um filete de sangue começa a escorrer bem perto da lente da câmara.

FIM


OBSERVAÇÃO – Embora tenha tudo a ver com um filme do tipo O Exterminador do Futuro, esse roteiro não tem nada de ficção e refere-se a um “exterminador do presente”. A perseguição de uma moto por um caminhão, com o atropelamento e morte do motociclista, aconteceu semana passada em São Paulo, perto da Capital. O motorista, que confessou ter tomado três cachaças e meia garrafa de cerveja durante o almoço, foi preso e vai responder por homicídio qualificado.
Na minha opinião, ele não fez o que fez porque estava bêbado: o álcool apenas liberou seu instinto assassino.

Marco Antonio Zanfra, jornalista

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11/07/2008 10:11
Lei seca?



Semana passada, dez dias depois da entrada em cena da chamada “Lei Seca”, dois números foram colocados na balança para apreciação dos cidadãos que se preocupam com o trânsito: num dos pratos, a informação de que o número de atendimentos de urgência por acidentes havia caído 20%; no outro, a queixa dos donos de bares e restaurantes de que o consumo de bebidas alcoólicas decrescera de 30 a 50% nesse período. Em que prato da balança vocês acham que está a informação mais importante?
Ora, parece brincadeira: como alguém pode colocar sua sede de lucro acima do bem comum, acima da constatação de que a vida está sendo mais respeitada? Caiu o consumo de álcool? Parabéns! Parece que finalmente uma lei com a rigidez que lhe cabe conseguiu fazer acender uma luzinha na mente dos inconscientes.
Os donos dos bares querem solução para isso? Virem-se, sejam criativos, inventem promoções, coloquem carros para levar os bêbados para casa, sei lá. O brasileiro não tem a fama de sempre dar um jeitinho? O que não pode é abrir precedentes, aliviar a severidade da medida: ajoelhou, tem de soprar o bafômetro!
Aliás, como bem lembrou Gilberto Dimenstein na Folha de S. Paulo, ninguém está sendo proibido de beber, mas de DIRIGIR DEPOIS DE BEBER. Por isso, não podemos chamá-la de “lei seca”.
Por falar em Dimenstein, leia abaixo um texto dele sobre o assunto:

Proponho um brinde à lei seca

Merece um brinde --aliás, vários brindes. Desde que evidentemente não se volte dirigindo para casa.
Dados colhidos por Mônica Bergamo, da Folha, a partir de relatórios oficiais, mostra que, desde a implantação da lei que inibir o motorista de dirigir alcoolizado a queda no número de atendimentos nos hospitais especializados em trauma, na cidade de São Paulo, foi de 55%.
Isso em apenas três semanas. O efeito, de fato, não é da nova lei --já havia uma legislação que obviamente proibia a combinação de bebida com direção. Pesaram aqui a educação e, em especial, a punição.
O fato é que, neste momento, mexer abruptamente na lei pode significar a tradução de que "liberou geral" e implicar imediatamente mortes.
É hora, agora, de avançar ainda num esforço de também impedir a glamourização da bebida feita pela publicidade.

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04/07/2008 10:09
Liberaram o bombom de licor!



Olá…ontem assisti uma matéria do Jornal Nacional onde testaram se bombom de licor, enxaguante bucal e pouca bebida alcoólica seriam detectados no teste do bafômetro. E para alegria geral da nação, JÁ QUE DEPOIS DA “LEI SECA” DESCOBRIMOS PESSOAS AFICIONADAS POR BOMBOM DE LICOR, foi provado que, se comermos 7 bombons de licor, não teremos álcool no sangue suficiente para aparecer no bafômetro.
Ufa…ainda bem…já estava vendo uma nova modalidade de porre por aí…porre de bombom de licor! Imagine a desculpa do seu namorado: “Amor, ontem te traí, mas você tem que me desculpar, comi 10 bombons de licor, e fiquei tão bêbado que não sabia o que eu estava fazendo”.
Brincadeiras à parte, essa matéria serviu para mostrar que a Lei é séria e que devemos respeitá-la. Se a fiscalização vai funcionar, não sei. Se é o mais correto, não sei. Se os 0,6 mg/l já eram suficientes para “pegar” os embriagados, também não sei. O que eu sei é que o objetivo da Lei, que é salvar vidas, está acima de tudo e é totalmente válido.
Só quem perdeu alguém no trânsito, devido a ocorrência de acidente envolvendo algum usuário embriagado, seja ele condutor ou pedestre, sabe dar valor ao que estamos defendendo: A VIDA! Não espere acontecer algo com você e com a sua família para fazer alguma coisa. A solução está em nossas mãos.
Ahhh! E aqueles que não vivem sem bombom de licor: SE ESSE ERA O PROBLEMA, PODEM FICAR SOSSEGADOS, O BOMBOM DE LICOR ESTÁ LIBERADO!
(texto publicado originariamente no Portal do Trânsito)

Mariana Czerwonka, jornalista


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